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Projeto da USP permitirá estimar a cobertura vacinal no Brasil
Governo do Estado de S. Paulo-27/04/2021

A despeito de o Brasil ter um dos mais bem-sucedidos programas de vacinação, não é possível saber exatamente quantos brasileiros estão protegidos contra o sarampo, por exemplo. Isso porque o registro do histórico de imunizações feitas na rede pública de saúde do país nas últimas décadas está guardado em cadernetas de vacinação em papel.

A fim de auxiliar o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Sistema Único de Saúde (SUS) a estimar a cobertura vacinal em diversas regiões do país, um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) iniciou um projeto com o objetivo de digitalizar as carteiras de vacinação antigas e em papel do maior número possível de brasileiros.

Batizado de Levacc, o projeto foi encomendado pelo Ministério da Saúde e é apoiado pela FAPESP.

“Com base na informatização dos dados das carteiras de vacinação de milhões de brasileiros, os técnicos do Ministério da Saúde poderão determinar melhor a cobertura vacinal das regiões do país. Com isso, poderão planejar campanhas de vacinação ou desenhar estratégias para evitar surtos de doenças para as quais há vacinas”, diz à Agência FAPESP Helder Nakaya, vice-diretor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF-USP) e coordenador do projeto.

Nakaya é um dos pesquisadores principais do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID financiado pela FAPESP.

Na primeira etapa do projeto, os pesquisadores estão coletando fotos de cadernetas de vacinação, que podem ser tiradas por meio de smartphone e enviadas pelo site do projeto.

Os voluntários precisam enviar apenas a imagem do registro de histórico de vacinações na caderneta, sem a necessidade de expor seus dados pessoais.

As fotos das cadernetas de vacinação enviadas pelos voluntários ajudarão os pesquisadores a treinar um algoritmo de inteligência artificial que estão desenvolvendo para identificar quais vacinas e quantas doses foram aplicadas.

“Precisamos coletar grandes quantidades e diferentes modelos de caderneta de vacinação para termos uma base de dados robusta o suficiente para treinar o algoritmo que estamos desenvolvendo, de modo que ele seja capaz de identificar os quadrantes da caderneta e verificar qual vacina e quantas doses foram administradas”, explica Luiz Durão, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) e coordenador tecnológico do projeto.

Os pesquisadores identificaram que há dois tipos de caderneta de vacinação em papel em circulação no Brasil. Uma delas é estruturada em um modelo de coluna, em que no topo de uma coluna consta o nome da vacina e nos quadrantes abaixo o número do lote e a data da imunização. Na maioria dos casos essas informações foram registradas manualmente, a caneta ou a lápis.

O segundo modelo de caderneta, mais recente, é o de etiqueta, em que foram colados nos quadrantes rótulos com informações sobre a vacinação impressas ou registradas manualmente.

“O algoritmo que estamos desenvolvendo será capaz de identificar esses dois tipos de marcações nos quadrantes e conseguirá ‘ler’ as informações da etiqueta ou identificar quais colunas de uma determinada vacina estão ou não preenchidas em uma caderneta”, relata Durão.