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Vegetação nativa em propriedades privadas gera R$ 6 trilhões por ano
USP-06/09/2019

Os serviços ambientais prestados pela cobertura de vegetação nativa existente em Reservas Legais de propriedades privadas do Brasil são da ordem de R$ 6 trilhões. Esse é o valor atribuído aos benefícios econômicos, tais como captação de água doce e regulação climática, proporcionados por florestas e outros ecossistemas naturais, estimam pesquisadores da Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação (Abeco) e da Coalizão Ciência e Sociedade – grupo de cientistas que monitora questões socioambientais e políticas públicas no Brasil. O Jornal da USP no Ar conversa com professor Jean Paul Metzger, do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências (IB) da USP, um dos responsáveis pelo estudo.

“Reserva Legal é um instrumento definido pelo código florestal, atualizado em 2012, com o nome de Lei de Proteção da Vegetação Nativa”, explica Metzger, e acrescenta: “Dentro dessa lei é estabelecido que cada proprietário tem que proteger uma porcentagem de sua propriedade com vegetação nativa”. Justamente essas áreas protegidas que são as chamadas Reservas Legais.

O professor esclarece que essa porcentagem muda de acordo com a região, começando em 20% e podendo chegar a 80%, como as Reservas Legais da Amazônia. Motivados pelas ofensivas que a Lei de Proteção da Vegetação Nativa vêm sofrendo, sobretudo por um setor predatório do agronegócio, cientistas calcularam o tamanho de sua importância. “Procuramos mostrar nesse estudo é que mais que um passivo, as Reservas Legais provêm, na verdade, uma série de benefícios”, comenta Jean Paul Metzger.

Além de protegerem a biodiversidade, as Reservas Legais são importantes para o próprio setor agropecuário, que depende, por exemplo, de serviços de polinização, controle de pragas, regulação climática e da provisão de água. A vegetação nativa contribui para o clima global, ao manter carbono estocado no chão, e para climas regionais, ao interagir com a atmosfera. A captação de água para agricultura, para consumo humano e para abastecer hidrelétricas também depende diretamente da extensão de cobertura vegetal natural.

“Quando consideramos o rol de benefícios que essas áreas podem prover, tanto para o proprietário quanto para a sociedade, começamos a entender que esses benefícios não são pequenos”, esclarece o professor, e continua: “Eles são altos! Na verdade, em alguns casos você tem mais benefícios mantendo a Reserva Legal do que retirando e avançando com o cultivo da área”.

A presença de uma área com vegetação nativa adjacente a outra área de cultivo influencia diretamente na produtividade. O professor Metzger comenta que  a produção de café pode aumentar em até 30%, caso a lavoura esteja próxima a Reservas Legais. “Uma vegetação nativa adjacente reduz os investimentos em termos de insumos, de pesticidas, de fertilizantes”, finaliza.