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Incubadora da USP ajuda trabalhadores informais a criar cooperativas
USP-06/02/2019

A história da lanchonete e do restaurante da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, em São Paulo, ajuda a contar como a economia solidária e a autogestão podem mudar a vida de trabalhadores. A cooperativa Monte Sinai Lanches é resultado de uma das primeiras ações da ITCP. A Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da USP é um projeto de extensão universitária que há 20 anos auxilia espaços e cooperativas, ensinando uma forma de produzir em que as pessoas, ao mesmo tempo, são trabalhadores e têm o capital.

O espaço de venda de alimentos para estudantes, professores, funcionários e visitantes da USP foi fechado pela antiga proprietária na semana do Natal, em 2002. Os funcionários ficaram surpreendidos e sem emprego. Um aluno da FAU indicou a incubadora para que eles se organizassem em uma cooperativa e continuassem o estabelecimento comercial. Assim nascia a Monte Sinai Lanches.

A ITCP foi criada em 1998, a partir de um grupo de estudos coordenado pelo professor Paul Singer, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, em São Paulo. Ela surgiu inicialmente para apoiar iniciativas dos moradores do bairro do Rio Pequeno.

“Os primeiros trabalhos foram no entorno da USP, como na comunidade São Remo e dentro dela, na Cooperativa Cooper Brilha e no restaurante Monte Sinai, na FAU”, explica Ana Luiza Laporte, doutoranda da Faculdade de Educação (FE) da USP e colaboradora da ITCP.

Hoje, o programa desenvolve projetos que orientam e acompanham grupos de diversos setores, a partir da educação popular e da multidisciplinaridade. O processo de “incubação” consiste na educação permanente, visando à autonomia e à emancipação dos grupos incubados, assim como ao desenvolvimento de novas relações de produção e de trabalho para os empreendimentos criados. Atualmente, o País conta com mais de 120 ITCPs.

Cada cooperativa e demais empreendimentos parceiros da ITCP da USP são acompanhados semanalmente por uma dupla de formadores específica. A visita pode ocorrer na sede da cooperativa, da associação de bairro, em reuniões de rede ou diversos outros lugares de acordo com cada caso. A dupla envolvida antes de ir ao campo se encontra em uma reunião também semanal para preparar as formações e atividades que irão realizar.

“Atualmente, nós fortalecemos, principalmente, pontos de economia solidária no Butantã. Mas temos um importante histórico de atuação na zona sul de São Paulo, no Campo Limpo, Capão Redondo, Jardim Ângela e Parelheiros”, conta o professor Reinaldo Pacheco da Costa, professor da Engenharia de Produção da Escola Politécnica (Poli) da USP e coordenador da ITCP.

A ITCP está ligada à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária. Assim como ocorreu com Ana Luzia, os integrantes são estudantes de graduação e pós-graduação que recebem bolsas, como Programa Unificado de Bolsas (PUB), Fusp, CNPq ou Finesp. Mas o papel da Universidade é limitado. “A maior parte do dinheiro que conseguimos é via projetos de política pública federal. A Universidade só nos dá o espaço”, explica o professor.
O que é economia solidária?

Para entender o conceito de economia solidária, é preciso conhecer o trabalho de Paul Singer. Ele foi professor titular da FEA entre os anos de 1986 e 1998, quando se aposentou. “O professor Paul Singer mostrou com seu trabalho que é possível existir uma economia solidária, em oposição à ideia clássica de que toda economia deve ser necessariamente competitiva”, afirma Pacheco.

“A economia solidária compreende diferentes tipos de ‘empresas’, associações voluntárias com o fim de proporcionar a seus associados benefícios econômicos. Estas empresas surgem como reações a carências que o sistema dominante se nega a resolver. A mais importante destas carências é, sem dúvida, a própria pobreza que, via de regra, decorre da falta de oportunidade de participar do processo de produção social. Os pobres são pobres porque foram colocados à margem das empresas que produzem a parte principal da riqueza social”, segundo definição apresentada por Singer.